Nossa História

A CAMBIA nasceu como fruto de um outro trabalho realizado por Vera Bruder e por doulas voluntárias no Hospital e Maternidade Municipal Nossa Senhora Aparecida do Projeto Doulas da Prefeitura Municipal de Itupeva, criado por iniciativa da Diretora de Saúde Dra Maria Helena e com apoio do Prefeito Ocimar Polli.
Uma das doulas (em grego, mulher que serve) não pode continuar atuando no Hospital, entretanto nossa amizade já era muito forte e continuávamos a visitá-la. Durante nossos encontros, não conseguíamos deixar de falar sobre a necessidade daquelas mulheres recém-paridas e seus bebês. Já estávamos profundamente comprometidas com as mães Itupevenses. Queríamos criar uma estrutura para dar continuidade ao trabalho das doulas, após a saída da maternidade.

Três voluntárias, encontravam-se semanalmente e foram encontrando fatores identificadores entre si. Exercitaram julgamentos comuns para construir uma visão comum de mundo.

Partindo da necessidade de alguns recursos para organizar as visitas domiciliares sistemáticas das mães com o objetivo de apóia-las e evitar o desmame precoce, assumimos uma tarefa comum com objetivos e metas: montar um serviço de atendimento às necessidades da mulher que dá a luz. Muitas opiniões foram reveladas e expostas. Numa ocasião, brincávamos com as letras, tentando encontrar uma seqüência que tivesse um significado: CAM de casa de amparo a maternidade, CAMPI de casa de amparo à primeira infância, até que chegamos à CAMBIA – Casa de Amparo à Mãe e ao Bebê e de Incentivo à Amamentação. ‘Cambiar al hombre’, numa música espanhola lembrada por uma das três, quer dizer mudar o homem.
Achamos significativo e ficamos namorando esta denominação.

Pedimos assessoria ao Kleber, que trabalhava no Grendacc, onde uma das doulas também era voluntária. Ele nos incentivou a continuar.

Convidamos muitas pessoas para juntarem-se a nós, mais voluntários ( mudança de gênero porque o primeiro homem, o Dr. Roberto obstetra do hospital, aceitou participar). Tivemos oportunidade para afinar nossos julgamentos sobre a realidade.

A esta altura, o grupo estava mais coeso e com a continuidade das atividades, passou a ser identificado por nós e publicamente como CAMBIA – assumimos nossa identidade comum.

Depois de mais de seis meses de preparação, tínhamos um juízo comum sobre a realidade, uma mesma identidade e um sentido de nós-ético, tinha chegado a hora de atuarmos publicamente com essa identidade, de enfrentarmos os desafios do ambiente físico e social.Hoje a CAMBIA apresenta-se publicamente porque quer interagir com outros sujeitos.

Temos mantido a memória de nossa pequena, mas, intensa história em nossos encontros e isto nos torna aptos para incidir sobre a realidade mais eficazmente, pois, nossos erros e acertos têm sido contabilizados, nada acontece por acaso, nossa prática está sendo vivida com SIGNIFICADO.

Esse percurso fez com que a CAMBIA tenha hoje mecanismos educativos aptos a manter a identidade de seus integrantes e igualmente tenha condições de ‘educar’ outras voluntários para que assumam a mesma identidade grupal.

CAMBIA, um novo sujeito coletivo político em Itupeva com capacidade de julgar a realidade e propor soluções. Fundamos esta obra social porque acreditamos que possamos contribuir para fazer de Itupeva um ninho acolhedor para as novas vidas que estão chegando e um ambiente favorável ao desenvolvimento de cada criança. Queremos criar juntos, novas realidades, mais humanas e mais dignas que não oscilem a cada mudança da cúpula dirigente do sistema municipal.

Sozinhos, não poderemos ir muito longe, portanto, para que haja convivência humana digna que garanta o pluralismo, a democracia deve ser exercitada nas relações entre os sujeitos coletivos existentes em nosso município e até mesmo em outros que nos circundam.

Se você é capaz de aceitar o diferente de modo a não excluí-lo, mas compreende-lo,

Se você é capaz de não ver no outro um inimigo, mas um semelhante com as mesmas carências e as mesmas potencialidades comuns a todos os seres humanos,

Se você é capaz de perceber-se como educador e desse modo ser capaz de partir do ponto em que o outro esteja, não se sentindo questionado por eventuais dúvidas, discordâncias e conflitos, mas tomando-os como elementos da situação a serem levados em conta,

Se você acredita que os seres humanos podem mudar, melhorar e aperfeiçoar-se,

Junte-se a nós, pois estas são as condições fundamentais para os que se aventuram a um trabalho comunitário, que é como todo trabalho educativo: uma contínua superação de uma situação para outra.